Resista e assuma o controle da tecnologia

Resista e assuma o controle da tecnologia

A publicação sem consentimento de material íntimo de caráter sexual e erótico tem um fim muito concreto: disciplinar mulheres heterossexuais e pessoas LGBTIQ que vivem livremente sua sexualidade, submetendo-as a lógicas patriarcais. Não se reconhece agência nem sujeitos e, portanto, muito menos seu consentimento: seus corpos existem somente para o gozo patriarcal.

Você está diante de duas escolhas principais. Retrair-se e renunciar a qualquer forma de gozo sexual através da tecnologia; ou resistir e retomar o controle sobre nossa sexualidade, nossos corpos e nossa tecnologia. Se você prefere a segunda opção, a seguir damos algumas recomendações para diminuir os riscos.

– Assuma o controle da tecnologia
Dar a outra pessoa o controle sobre a tecnologia para registrar, armazenar e difundir material sexual e erótico é arriscado. Deixe para trás a ideia de que apenas homens heterossexuais podem lidar com a tecnologia e não se assuste: investigue, conheça, empodere-se e adote ferramentas seguras. Caso precise de sugestões, pode começar por aqui. Não é preciso ser especialista para ter controle sobre a tecnologia e sobre seus dados nela. Lembre-se: seu corpo, suas regras; sua tecnologia, suas regras.

 

– R.A.P.: Registrar, Armazenar e Publicar
Muitas vezes concentramos o cuidado na publicação, mas, na verdade, devemos ter o controle de três etapas chave: registrar, armazenar e publicar (R.A.P.). Não tenha medo de fazer perguntas em cada etapa, de se colocar em cenários hipotéticos e de não consentir nada até que você esteja segura de tudo. Seguem aqui alguns exemplos de questões para se colocar.

Registrar: Quem e como se registrará o material gráfico? Vamos mostrar os rostos? Quero que o registro seja em minha casa? Vamos editar o material depois? O dispositivo utilizado para a gravação salva automaticamente uma cópia na nuvem? Quantas cópias faremos do registro?

Armazenar: Onde vamos armazenar o registro? Em seu computador? Na “nuvem”? Por quanto tempo? Quem terá acesso ao registro? Que medidas de segurança vamos implementar para evitar que qualquer pessoa tenha acesso ao registro?

Publicar: Quem queremos que veja o registro? Em que plataforma vamos publicá-lo? Temos certeza de que, caso queiramos apagar o material, isso será feito completamente? A plataforma leva a segurança e privacidade de seus usuários a sério? Qual será o título, descrição e etiquetas (tags) do material que publicaremos?

 

– Consentimiento
Nunca permita que alguém registre, armazene ou publique material visual sexual seu sem que você participe e seja informada do processo, e sempre mediante seu consentimento em cada uma das etapas: registrar, armazenar e publicar. Um “sim” geral não serve, muito menos se foi obtido por meio de manipulação psicológica ou se é produto direto de ameaças. Consentir o registro não implica no consentimento de nenhuma outra etapa. Por isso é importante que você esteja consciente das decisões de cada uma das etapas R.A.P.

Mais recursos

Leia Safer Nudes! de Coding Rights para obter mais recomendações de segurança e voltar a ter controle sobre sua sexualidade na Internet. Há informações em castelhano, português e inglês.

Não deixe de ver as recomendações do Guia de Segurança Digital para Feministas Autogeridas.

Caso deseje buscar material sobre segurança digital a partir de uma perspectiva feminista, visite Ciberseguras.

E, se quiser ir mais além, dê uma olhada em Cibermujeres, que apresenta uma série de conteúdos de segurança digital com enfoque holístico e perspectiva de gênero. A finalidade desse site é oferecer experiências de aprendizagem para defensoras de direitos humanos que trabalham em ambientes de alto risco.